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O adeus a Dennis Ritchie: modéstia do pai do C e do Unix

No começo dessa semana, Dennis Ritchie (dmr) morreu. O inventor da linguagem C e colaborador essencial da vários sistemas operacionais morreu depois de uma longa doença. Apesar da consciência de sua enfermidade, sua morte foi uma surpresa. Há  apenas alguns meses liguei em sua casa para marcar uma entrevista. Sua governanta sugeriu que ele estava se sentindo melhor e que com um pouco de persistência, conseguiria ultrapassar sua timidez e falar com ele ao telefone. Não havia pistas na época que seu estado fosse tão grave.

Essa timidez – ou melhor – o desejo de Ritchie de evitar a atenção apesar de suas contribuições à computação está entre as primeiras coisas que a maioria das pessoas que o conheciam ressaltam a respeito de sua personalidade. Talvez por essa razão, ele por muitas vezes fosse o primeiro a zombar de suas criações mesmo enquanto reconhecia sua importância na computação: “O C é peculiar, falho e um enorme sucesso”, e sobre o Unix: “É muito simples, só precisa de um gênio para compreender a sua simplicidade”.

Por trás da modéstia, entretanto, zunia um motor de criatividade técnica memorável. A sintaxe simples do C vem sendo padrão para a maioria das línguas desde que surgiu nos anos 70 (!). Oito das dez linguagens de programação de hoje (dados Tiobe) copiam diretamente a sintaxe do C, incluindo a linguagem número 2, que é o próprio C. Nenhuma outra linguagem gozou de tão alto nível de popularidade por tanto tempo.  Isso é sem dúvida devido à forma intuitiva de Ritchie expressar tudo que um sistema de linguagem precisa fazer. Ele teve ajuda no projeto de seu colaborador de longa data, Ken Thompson.

Durante minha entrevista recente com Thompson, ele observou como o trabalho de Ritchie evoluiu enquanto ele reescrevia o Unix: “Reescrevíamos a linguagem diariamente, conforme encontrávamos problemas na construção do Unix… e modificávamos o sistema de acordo com nossas necessidades. Se tornou a linguagem perfeita para aquilo que foi projetada”.

O que não é muito reconhecido é como a sintaxe do C foi inventada desde seu início por Ritchie e Thompson. O C é geralmente visto como um trabalho derivado do BCPL, mas na verdade, uma rápida análise na documentação do BCPL mostra uma linguagem completamente diferente, sem as construções sintáticas comuns de hoje em dia e toda a elegância minimalista de Ritchie e Thompson.

Essa elegância foi então levada por Ritchie para o livro K&R , que permanece sendo o tutorial de definição de linguagem com a qual todas as outras são comparadas – e da qual todas tomaram como seu primeiro exemplo.
No Unix, o trabalho de Ritchie foi escrever as porções do I/O e algumas das utilidades. Ele reprisou seu trabalho de sistema no fracassado, mas inovador, Plan9 OS nos anos 80 e 90.

Entre as duas tarefas, ele e Thompson compartilharam o prêmio Turing. Em seu discurso, Ritchie previu problemas que se tornariam sérias preocupações durante os  últimos anos: “acima de tudo, o grande perigo da boa pesquisa de ciência da computação hoje seja talvez a excessiva relevância…à medida que a intensidade da investigação em uma área particular aumenta, o mesmo acontece com o impulso de manter seus resultados em segredo”.

Ele então adentrou em uma preocupação mais sutil, que continua um agente poderoso, mas comparativamente menos discutido hoje em dia: “Outro perigo são as pressões comerciais que de alguma forma podem desviar a atenção do gênio de um campo real de exploração para o que está na moda. Essas pressões se manifestam não só no desaparecimento do corpo docente para a indústria, mas também no conservadorismo que toma conta das pessoas com investimentos – intelectuais ou financeiros – em uma determinada ideia”. Amém.

Ritchie viu na linguagem o que outros não viam, no sistema operacional o que os outros não construíram e ao seu redor o que os outros não perceberam. Sua visão e a elegância de seu trabalho farão falta a todos os programadores, mesmo em futuras gerações que – como era do seu desejo – podem nem saber quem ele era.

Tradução: Alba Milena, Revisão: Adriele Marchesini

Fonte: ITWEB

14/10/2011 às 04:27    acessos (6337)     rodr1go
O pior é que muita gente que \"gosta de tecnologia\" deve estar sabendo da partida de Ritchie ao ler esse artigo. Sua morte foi encoberta pela também lamentável morte de Steve Jobs (7 dias antes), mas Jobs não seria nada sem a plataforma C de Ritchie... Abraços!

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